Descubra como o Relato de Sustentabilidade pode impulsionar a competitividade dasorganizações e qual o papel dos contabilistas certificados para garantir aconformidade legal e o sucesso do seu negócio.
Nos últimos anos, o conceito de Relato de Sustentabilidade passou a ganhar um peso crescente no mundo empresarial. A razão é simples: consumidores, investidores, reguladores e colaboradores estão cada vez mais atentos às práticas ambientais, sociais e de governança das empresas, conhecidas pela sigla ESG (Environmental, Social, Governance).

Em Portugal, não é diferente. O mercado exige transparência e alinhamento com as melhores práticas, sob pena de perder oportunidades de investimento, reputação e competitividade.
De acordo com dados do Fórum Económico Mundial, cerca de 90% dos investidores considera o desempenho ESG antes de tomar decisões de investimento. Este dado mostra que a sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito de responsabilidade social e passou a ser um fator crucial para a solidez e o futuro das organizações.

Neste artigo, vamos explicar:
- O que é o ESG;
- Como funciona o Relato de Sustentabilidade;
- Quais as obrigações legais em Portugal;
- Como as empresas podem elaborar relatórios eficazes.
Preparado/a?
O que é ESG e qual a sua relevância para as empresas portuguesas
A sigla ESG agrupa três grandes dimensões do desempenho corporativo:
- Ambiental (E): como a empresa gere o impacto no meio ambiente, incluindoemissões de carbono, consumo de recursos, gestão de resíduos e adoção de energias renováveis.
- Social (S): envolve as relações com colaboradores, fornecedores, comunidades locais e sociedade em geral, incluindo políticas de diversidade, condições detrabalho, saúde e segurança.
- Governança (G): refere-se à estrutura de liderança, práticas de auditoria,transparência e ética empresarial, bem como combate à corrupção e conformidade com as leis.

A relevância do ESG para as empresas portuguesas passa por vários aspetos:
- Exigências de mercado: consumidores e investidores preferem produtos e serviços de empresas comprometidas com a sustentabilidade;
- Acesso a financiamento: muitos bancos e fundos de investimento dispõem de linhas de crédito especiais para organizações que demonstrem práticas ESG sólidas;
- Competitividade global: cumprir padrões de sustentabilidade é um diferencial que pode abrir portas em mercados internacionais;
- Mitigação de riscos: antecipar-se a possíveis sanções legais e preservar a reputação em cenários de crises ambientais ou sociais.

O que é o Relato de Sustentabilidade
O Relato de Sustentabilidade é um documento que apresenta, de forma estruturada e transparente, o desempenho de uma organização nos temas ambientais, sociais e de governância.
Também é frequentemente chamado de “Relatório de Sustentabilidade”ou “Relato ESG”. Vamos escalpelizar os seus fundamentos:
Principais objetivos
- Transparência: oferecer aos stakeholders (colaboradores, clientes, investidores, comunidade, fornecedores) uma visão clara das práticas adotadas;
- Prestação de contas: demonstrar como a empresa cumpre as suas obrigações legais e as metas que definiu na área de sustentabilidade;
- Tomada de decisões: os indicadores presentes no relatório ajudam a administraçãoa identificar riscos e oportunidades, orientando estratégias de curto e longo prazo.

Quadros de referência internacionais
Para garantir credibilidade e consistência, as empresas podem seguir normasreconhecidas globalmente, como:
- GRI (Global Reporting Initiative)
- SASB (Sustainability Accounting Standards Board)
- IIRC (International Integrated Reporting Council)
- TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures)
Estas estruturas fornecem orientações sobre quais métricas e indicadores devem serreportados, bem como os princípios de conteúdo e qualidade (comparabilidade,clareza, equilíbrio e fiabilidade).
Este artigo não se debruça em pormenor sobre cada um deles, mas à frente de cadasigla hiperlinkámos os websites oficiais, caso queira saber mais sobre eles ou,porventura, aprender a estar em conformidade com algum dos quadros de referênciainternacionais.
Legislação e Normas em Portugal
O Relato de Sustentabilidade deixou de ser meramente voluntário para muitas empresas, sobretudo após o avanço de regulamentações na União Europeia. Continuea ler para saber que obrigações passaram a existir.
Diretiva de Relato Não Financeiro (NFRD) e CSRD
A Directiva de Relato Não Financeiro (NFRD) obriga as grandes empresas europeias a divulgarem informações sobre o seu desempenho não financeiro, incluindo temas ambientais, sociais e de governança.
Porém, a nova Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) veio alargar o âmbito de aplicação para mais empresas — incluindo algumas PMEs —, bem como tornar os requisitos de reporte mais detalhados.
Transposição para a lei portuguesa
Portugal, como Estado-Membro da União Europeia, é responsável por transpor essas normas para a legislação nacional.
Assim, cada vez mais empresas estarão obrigadas a publicar anualmente um Relato de Sustentabilidade que inclua:
- Indicadores ambientais (emissões de CO₂, consumo de água e energia, gestão de resíduos, etc.)
- Questões sociais (igualdade de género, inclusão, saúde e segurança no trabalho, envolvimento com a comunidade)
- Governança e ética (políticas anticorrupção, estrutura de gestão, direitos humanos, transparência)

Sanções e prazos
E sim, é verdade: o não cumprimento das obrigações legais pode resultar em sanções financeiras e prejudicar a reputação da empresa.
Além disso, a CSRD prevê fases de aplicação distintas consoante a dimensão e aestrutura das organizações, impondo prazos que exigem que os gestores se preparemcom a devida antecedência:
- A partir de 1 de janeiro de 2024: grandes empresas (com mais de 500 trabalhadores) de utilidade pública e que já estejam sujeitas à diretiva de divulgação de informações não financeiras. Aplica-se aos relatórios a apresentar em 2025;
- A partir de 1 de janeiro de 2025:g randes empresas (mais de 250 trabalhadores e/ou 40 milhões de euros de volume de negócios e/ou ativos totais de 20 milhões de euros) ainda não abrangidas pela diretiva de relatório não financeiro. Para os relatórios a apresentar em 2026;
- A partir de 1 de janeiro de 2026: PME cotadas e outras empresas. As pequenas e médias empresas podem optar por não participar até 2028.

Como elaborar um Relato de Sustentabilidade eficiente
Elaborar um Relato de Sustentabilidade vai muito além de cumprir uma formalidade. Éum processo estratégico que, quando bem executado, pode gerar valor e orientar ofuturo do negócio.
Vamos aprender a criar um?
Definição de indicadores e metas
- Identifique KPIs relevantes: comece por escolher métricas que sejam coerentes com a atividade da sua empresa. Por exemplo, uma indústria pode focar-se em emissões de carbono e uso de recursos naturais, enquanto uma empresa de serviços pode dar mais ênfase à gestão de pessoas e formação de colaboradores;
- Estabeleça metas claras: além de apresentar dados passados, é fundamental definir metas futuras de melhoria contínua.
Mas onde vou recolher os dados que me permitem criar este relatório?
Vamos conhecer os mais típicos.
Coleta e análise de dados
- Fontes internas: sistemas de ERP, folhas de ponto, relatórios de RH, medidores de consumo energético e água, etc.
- Fontes externas: bases de dados públicas, estudos setoriais, feedback de stakeholders e parcerias com ONGs ou outras instituições;
- Garantia de fiabilidade: assegurar a precisão e consistência dos dados é essencial para a credibilidade do relatório.

Estrutura do Relatório
Seguir um referencial reconhecido (ex.: GRI) pode facilitar a organização dodocumento em tópicos ambientais, sociais e de governança. Descarregue aqui umexemplo de Relato de Sustentabilidade criado a partir do GRI.
Validação externa
Contar com auditorias independentes ou verificações externas acrescenta legitimidade ao Relato de Sustentabilidade. Isto reforça a confiança dos investidores estakeholders em geral.
Comunicação eficaz
Por fim, é importante divulgar o Relato de Sustentabilidade nos canais apropriados (site oficial, redes sociais, newsletter) e facilitar o acesso a todos os interessados.

O papel dos contabilistas certificados no processo ESG
Os contabilistas certificados desempenham um papel central na implementação depráticas ESG e na elaboração do Relato de Sustentabilidade. Porquê?
- Fiabilidade dos dados: estes profissionais são especializados na análise e validação de dados financeiros e não financeiros, garantindo a confiabilidade das informações apresentadas;
- Conformidade legal: estão permanentemente atualizados sobre leis e normas fiscais, podendo orientar as empresas no cumprimento das novas exigências de relatórios não financeiros;
- Análise de riscos e oportunidades: ao lidar diariamente com o fluxo financeiro, os contabilistas conseguem identificar pontos críticos e potenciais oportunidades de melhoria nos processos;
- Integridade e transparência: a ética e o compromisso com a verdade fazem parte do código de conduta da profissão, o que reforça a credibilidade do Relato de Sustentabilidade.

Benefícios de adotar práticas ESG e ter um bom Relatode Sustentabilidade
Antes de me despedir, permite-me “defender” a adopção de boas práticas ESG com argumentos que vão para além das obrigações legais. Sou muito rápido!
Vantagens competitivas
Empresas que investem em ESG destacam-se num mercado cada vez mais saturado. Aprocura por produtos e serviços de origem sustentável está em crescimento, tanto porparte de consumidores conscientes como de grandes cadeias de valor globais.

Melhor reputação e imagem de marca
Um Relato de Sustentabilidade sólido transmite aos stakeholders a mensagem de quea empresa é transparente, responsável e comprometida com boas práticas. Isso eleva aconfiança e fortalece a reputação junto de clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores.
Facilidade de captação de investimentos
Muitos fundos de investimento estão focados em ativos sustentáveis (green bonds, social bonds, etc.). Assim, apresentar um desempenho ESG robusto e comprovado abre portas a novas fontes de financiamento.

Redução de riscos e custos
Medidas relacionadas à eficiência energética, gestão de resíduos e responsabilidade social podem reduzir custos operacionais a longo prazo, além de diminuir a exposição a riscos de litígio ou sanções legais.
Atração e retenção de talentos
Num mercado de trabalho competitivo, cada vez mais profissionais optam por organizações que se alinhem a valores de sustentabilidade e inclusão. Assim, a empresa tem mais probabilidade de reter os seus melhores talentos.
Conclusão
A sustentabilidade não é apenas uma tendência passageira; é uma realidade que afeta diretamente a competitividade, a reputação e o futuro das empresas.
Em Portugal, a adoção de práticas ESG e a elaboração de um Relato de Sustentabilidade consistente tornaram-se essenciais para cumprir as exigências legais, atrair investimentos e conquistar a confiança dos stakeholders.
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