O que é o EBITDA e como se calcula

o que é o ebitda e como se calcula

O que é o EBITDA?

No universo financeiro e contabilístico, somos diariamente confrontados com uma parafernália de siglas e terminologias. Uma das mais predominantes é o EBITDA. E para qualquer empresário, gestor ou contabilista em Portugal, compreendê-lo não é apenas relevante: é essencial.

EBITDA é o acrónimo de “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que em português se traduz para “Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização”.

Além de ser um indicador crucial de desempenho operacional de uma empresa, o EBITDA é uma medida que reflete a geração de fluxo de caixa a partir das atividades operacionais puras, sem a influência de operações financeiras e fatores externos.

Mas vamos por partes.

Se entrou neste artigo porque tem uma empresa e quer dominar o conceito, comece por ler a seção abaixo e descubra como aplicar o EBITDA para benefício da saúde financeirado seu negócio.

Para que serve o EBITDA

A resposta simples: dá-nos uma ideia precisa do desempenho operacional de umaempresa.

Em essência, o EBITDA refere-se ao lucro que uma empresa gera a partir das suas operações, desconsiderando as despesas financeiras, os impostos e o desgaste dos ativos, sejam eles tangíveis ou intangíveis.

Num cenário económico competitivo e em constante mutação, como aquele em que vivemos, o EBITDA permite uma comparação mais homogénea entre empresas – mesmo que estas operem em setores distintos ou estejam sob diferentes regimes fiscais.

Vamos analisar, ponto por ponto, a utilidade deste indicador:

1 – Permite calcular o desempenho de uma empresa

O EBITDA atua como um termómetro financeiro, permitindo aos empresários e gestores tirarem a temperatura de uma empresa. Ao isolar as receitas operacionais das despesas não operacionais, o EBITDA oferece um retrato fiel da eficiência e produtividade do negócio em análise.

Simples, certo?

A grande vantagem é que, ao compreender o EBITDA, é possível: identificar tendências,elaborar projeções e tomar decisões mais informadas – assegurando que a gestão estáalinhada com os objetivos de desempenho da empresa.

Lembre-se que estamos perante uma ferramenta que permite aos gestoresacompanharem os valores e a performance da empresa ao longo do tempo. Naturalmente, esta capacidade vai permitir a quem analisa tomar melhores decisões emtermos de investimentos e operações.

Mas há mais!

2 – Permite fazer uma análise objetiva da circunstância empresarial

Com o EBITDA, o foco está nas operações diárias. Ele é desprovido de fatores como estruturas de capital e regimes fiscais, que muitas vezes distorcem o exercício da análise. Por essa razão, ele oferece-nos uma base sólida e imparcial para avaliar o funcionamento interno de uma empresa, o que é particularmente útil em auditorias e revisões de desempenho.

Esta abordagem objetiva no cálculo também exclui os custos de amortização e efeitosf inanceiros diversos, reforçando a utilidade do indicador como uma medida decomparação entre diferentes entidades no mercado.

3 – Permite comparar a sua empresa a outras

Independentemente do tamanho da empresa ou do setor em que opera, esta métrica estabelece um padrão comum para comparação.

Por excluir elementos como impostos e juros, o EBITDA possibilita que se faça um benchmarking eficaz entre empresas, proporcionando uma perspetiva valiosa sobre onde determinada empresa se posiciona em relação à concorrência.

Por excluir elementos como impostos e juros, o EBITDA possibilita que se faça um benchmarking eficaz entre empresas, proporcionando uma perspetiva valiosa sobre onde determinada empresa se posiciona em relação à concorrência.
Por excluir elementos como impostos e juros, o EBITDA possibilita que se faça um benchmarking eficaz entre empresas, proporcionando uma perspetiva valiosa sobre onde determinada empresa se posiciona em relação à concorrência.

Esta capacidade de comparação torna o EBITDA um indicador financeiro essencial para as empresas cotadas na Bolsa de Valores.

4 – É um indicador útil para investidores

Porque serve como um farol: guiando-os através das águas muitas vezes turvas da análise financeira. Investidores utilizam esta métrica para estimar o potencial de geraçãode caixa de uma empresa, o que o torna crucial na avaliação de possíveis investimentos. É dizer: um EBITDA robusto pode indicar uma operação saudável e, por extensão, um investimento atrativo.

Se está a pensar em adquirir ou fundir-se a sua empresa, lembre-se que o EBITDA é útil para avaliar empresas em fase de crescimento que ainda não são lucrativas mas que geram um valor positivo – o que pode ser sinal de potencial futuro.

Mas vamos supôr que precisamos de utilizar este indicador…

…como calculá-lo na prática? Qual a fórmula?

Como é feito o cálculo do EBITDA?

Para calcular o EBITDA:

  • Encontra-se o lucro operacional, também conhecido como resultado operacional, que reflete o lucro de uma empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização;

  • A este valor, adiciona-se de volta as despesas com depreciação e amortização pois o EBITDA visa medir a eficiência operacional sem considerar os efeitos da estrutura de capital, políticas fiscais ou grandes investimentos em ativos fixos.

Ao entender este processo de cálculo, passamos a considerar a utilidade do conceito como indicador crucial para a avaliação das despesas gerais e da atividade operacional de uma empresa.

Mas vamos mergulhar nos “pequenos” conceitos que compõe a compreensão doEBITDA:

Lucro Operacional

O lucro operacional é o ponto de partida para calcular o EBITDA. Representa os lucros da empresa que resultam das suas operações, excluindo despesas e receitas não operacionais.

Para exemplificar: se uma empresa de contabilidade em Portugal tiver um lucro operacional de 100.000 euros, esse valor é a base sobre a qual o EBITDA é calculado.

O lucro operacional é o ponto de partida para calcular o EBITDA. Representa os lucros da empresa que resultam das suas operações, excluindo despesas e receitas não operacionais.

Depreciação e Amortização

Por outro lado, depreciação e amortização serão as despesas contabilísticas que distribuem o custo de um ativo ao longo da sua vida útil. Soa complicado?

Dou um exemplo: se uma empresa adquire um computador para o escritório, com uma vida útil esperada de cinco anos, por mil euros, a empresa pode depreciar duzentos euros por ano.

No cálculo do EBITDA, estas despesas são adicionadas de volta ao lucro operacional, para mostrar o fluxo de caixa gerado pelas operações, antes destes custos não monetários.

Caso não sejam adicionadas ao lucro operacional: a exclusão destas despesas docálculo final do EBITDA oferece uma perspectiva otimizada do lucro líquido

…libertando os resultados das restrições de ativos intangíveis e permitindo uma avaliação mais pura da caixa operacional.

Espero não estar a soar muito técnico!

Ciclos de Caixa e Prazos Médio de Recebimentos de Vendas (PMRV)

Os ciclos de caixa e os seus prazos médios são cruciais para entender a liquidez operacional de uma empresa e, por consequência, o EBITDA. Eles influenciam diretamente a capacidade de uma empresa em cumprir as suas obrigações de curto prazo e reinvestir no negócio.

É simples: sem dinheiro em caixa… Não há compras nem pagamentos! 

Vamos a um exemplo prático: uma cadeia de retalho que consegue reduzir o seu Prazo Médio de Recebimentos de Vendas (PMRV) pode melhorar significativamente o seu ciclo de caixa. Esta condição torna-a mais ágil e capaz de responder a necessidades de capital como:

  • Investimentos
  • Pagamentos a fornecedores
  • Pagamentos à banca
  • Pagamentos de rendas ou outros custos operacionais

Entender estes ciclos é fundamental para gerir o curto prazo e para a sustentabilidadeda empresa a longo prazo: eles refletem-se diretamente na saúde financeira e nac apacidade de uma empresa em cumprir suas atividades operacionais.

Mas há mais! 

Os ciclos de caixa e os seus prazos médios são cruciais para entender a liquidez operacional de uma empresa e, por consequência, o EBITDA. Eles influenciam diretamente a capacidade de uma empresa em cumprir as suas obrigações de curto prazo e reinvestir no negócio.

Prazo Médio de Pagamentos de Compras (PMPC)

Inversamente ao PMRV, o PMPC (vivam as siglas!) refere-se ao tempo médio que uma empresa demora a pagar aos seus fornecedores.

Um PMPC longo pode ser benéfico para a liquidez da empresa, desde que não prejudique as relações com fornecedores.

Vamos a um exemplo deste conceito na prática: se uma fábrica de cerâmica no norte dePortugal consegue negociar um PMPC de 90 dias com seus fornecedores de argila, ela pode usar esse período para produzir e vender os seus produtos antes de ter que pagar pela matéria-prima.

Lembre-se que os programas de faturação, especialmente as novas ferramentas online, nos permitem definir a data de vencimento das faturas que enviamos!

E o que é deixado de fora no cálculo do EBITDA?

No cálculo do EBITDA, alguns elementos são intencionalmente omitidos, para que se possa fornecer uma visão clara do desempenho operacional:

  • Despesas e receitas financeiras (como juros pagos sobre empréstimos ou receitas de investimentos);
  • Assim como impostos;
  • E o efeito de qualquer subsídio ou incentivo fiscal.

Além disso, o EBITDA não considera as variações de caixa ou despesas de capital que são vitais para a expansão a longo prazo de uma empresa. Isto significa que, enquanto o EBITDA pode indicar sucesso operacional, não dá uma imagem completa da saúde financeira da empresa.

Lembre-se que será preciso uma análise mais aprofundada para uma avaliação integral.

A omissão dos elementos elencados acima não é, portanto, uma lacuna: mas uma medida intencional para concentrar a análise no que é gerado pelas atividades principais, sem distorções de custos financeiros ou taxas variáveis.

O que é deixado de fora no cálculo do EBITDA?

Como avaliar o EBITDA de uma empresa de forma (mais) rigorosa?

Neste artigo, já olhámos para a fórmula de cálculo do EBITDA. Mas para o avaliar de forma rigorosa, é necessário olhar para além do número absoluto e entender:

  • O contexto operacional da empresa (para além da situação financeira ouda receita líquida);
  • A indústria em que a empresa atua;
  • E as normas contabilísticas aplicadas.

É também essencial comparar o EBITDA ao longo do tempo, para identificar tendências de crescimento ou declínio na geração de caixa operacional. E claro: compará-lo com outros EBITDAS, de empresas similares no mesmo setor, para entender a posição competitiva da empresa.

Que outros fatores devem ser considerados no cálculo do EBITDA?

Isto é analisar em contexto e fazer uma leitura real. Mas, dependendo da indústria onde opero, para que valor devo apontar?

Qual é o EBITDA ideal para uma empresa?

Não existe um valor único de EBITDA que seja considerado ideal para todas as empresas, pois varia de acordo:

  • Com o setor;
  • Tamanho da empresa;
  • E estratégia de crescimento.

No entanto, um EBITDA positivo e crescente ao longo do tempo é frequentemente visto como um sinal de saúde operacional.

Mais: um valor consistentemente superior em relação aos concorrentes pode indicar uma vantagem competitiva em termos de eficiência operacional ou poder de precificação.

Diferença entre EBITDA e EBIT

Se é um utlizador de indicadores de análise empresarial, permita-me “separar” conceitos. Começando por este: o EBITDA e o EBIT são ambos indicadores de desempenho financeiro, mas diferem nos elementos que são excluídos do cálculo.

O EBIT (Lucros Antes de Juros e Impostos) leva em conta as despesas com depreciaçãoe amortização, ao contrário do EBITDA.

Esta condição faz do EBIT um indicador mais próximo do lucro líquido, refletindo não apenas a eficiência operacional, mas também o impacto dos investimentos em ativos de longo prazo.

Diferença entre EBITDA e EBIT

O EBITDA é um bom indicador?

Naturalmente, depende do que procuramos avaliar.

Mas em abstracto: sim, pode ser um bom indicador da capacidade de geração de caixa operacional de uma empresa. Lembre-se, no entanto, que deve utilizá-lo em conjunto com outros indicadores para uma avaliação financeira completa.

Para terminar, vou falar-lhe de três conceitos “fora dos limites” do EBITDA, mas dos quais vamos precisar para manusear na perfeição este indicador, na sua utilização prática do dia a dia.

Margem EBITDA

É a relação entre o EBITDA e a receita total, expressa em percentagem.

Uma margem EBITDA alta pode indicar uma boa gestão de custos e despesas operacionais, enquanto que uma margem baixa pode sugerir o contrário. Esta métrica é especialmente útil para comparar a eficiência operacional de empresas dentro domesmo setor.

Dívida Líquida

A dívida líquida é um fator importante a considerar juntamente com o EBITDA, pois representa o total de dívidas de uma empresa menos a caixa disponível.

Um EBITDA elevado em relação à dívida líquida pode sugerir que a empresa está bem posicionada para pagar as suas dívidas, enquanto que uma dívida líquida alta em relação ao EBITDA pode ser motivo de preocupação.

EBITDA Ajustado

Por fim, o EBITDA Ajustado exclui itens extraordinários para dar uma visão mais precisada da atividade operacional contínua, permitindo melhores decisões baseadas em dados mais representativos da atividade e situação empresariais.

São variações do conceito principal e, neste ponto, não me interessa que as domine.Mas, pelo menos, que as fique a conhecer!

Conclusão

Em suma, o EBITDA destaca-se como uma ferramenta valiosa para compreender a saúde financeira de uma empresa. Ao focar-se no lucro operacional e no fluxo de caixa, ele oferece um olhar diferenciado que, quando completado com outras análises, pode guiar a tomada de decisões e as operações financeiras.

Frequentemente, as empresas cotadas na Bolsa de Valores recorrem ao EBITDA para comunicar aos investidores os valores que refletem a sua situação financeira e as informações necessárias para a Comissão de Valores Mobiliários. Se a sua empresa está cotada em Bolsa, provavelmente vai (ou costuma) ouvir falar dele!

Espero que o artigo tenha ajudado a trazer alguma clareza sobre o conceito e lembre-se que a BTOCNET está aqui, caso precise de ajuda no processo de análise financeira de uma empresa que procura avaliar. Até breve!

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