Contratar um novo funcionário é um passo importante para qualquer empresa. Mas esta é a realidade: há muitos empregadores sem uma compreensão clara de quanto um funcionário realmente custa para a sua empresa.
Como funciona o regime tributário sobre esta matéria?
Neste artigo vamos detalhar os custos fixos associados à contratação e manutenção de um funcionário em Portugal, desde o salário base até às despesas menos óbvias, como seguros e impostos. Preparado/a?
Importância do cálculo do custo de um trabalhador para a empresa
Antes de tomar a decisão de contratar um novo colaborador, é crucial que uma empresa compreenda todos os custos envolvidos no processo de remuneração. Porquê?
Conhecer os custos de um emprego permite que a empresa faça um planeamento financeiro mais eficaz, estime o retorno sobre o investimento em recursos humanos e avalie o impacto da folha de pagamento na saúde financeira do negócio. Na seção seguinte, vamos olhar ao detalhe para os diferentes custos que um novo trabalhador comporta.

Principais custos de um funcionário para a empresa
Os custos de um funcionário para a empresa vão muito além do seu salário base. Descubra as principais despesas que deve considerar:
Salário Base
O salário base é o pagamento regular que um trabalhador recebe. Em Portugal, à data de hoje (setembro de 2025), o salário mínimo é de €870. No entanto, lembre-se que o salário esperado varia muito: dependendo da indústria e da experiência do empregado.
Veja como é feita a conta: se um empregado tem um rendimento base de €1000 por mês, o custo anual para a empresa será de €1000 x 14 meses = 14.000 euros anuais. Porquê 14 meses? Já lá iremos.

Salário Bruto e Salário Líquido
Já entendemos a questão do vencimento base e descobrimos quanto é o salário mínimo em Portugal. Mas é importante entender a diferença entre o salário bruto e o salário líquido quando se discute o custo mensal e/ou anual de um funcionário:
- O salário bruto é o montante total acordado entre o empregador e o empregado, antes de qualquer dedução – como impostos e contribuições para a Segurança Social. Este é o valor que serve de base
para calcular outras contribuições e benefícios;
- O salário líquido é o valor que o empregado realmente leva para casa, após todas as deduções. Para o empregador, o salário bruto é o número mais relevante: pois a partir dele serão calculadas todas as outras
contribuições e custos associados ao trabalhador.

Vamos a um exemplo prático: se um trabalhador tem um rendimento base (leia-se bruto ou remuneração ilíquida) de €1000 por mês, após a contribuição de 11% para a Segurança Social e com uma taxa de imposto pessoal aproximada de 20%, o salário líquido que ele receberá será de aproximadamente €790 (perto do salário mínimo).
Subsídio de Férias e Natal
Lembra-se de termos multiplicado o salário base por 14 meses? Pois é: em Portugal, os trabalhadores a contrato têm direito a um subsídio de férias e a um subsídio de Natal, cada um equivalente a um mês de salário.
Por outro lado, um trabalhador a recibos verdes não goza deste benefíco. Mas lembre-se: é ilegal contratar um trabalhador em atividade permanente por via de recibos verdes. Este mecanismo serve a necessidade de contratar serviços ocasionalmente. Voltaremos a este tema no nal deste artigo!
Segurança Social
E chegamos finalmente ao tema dos encargos sociais. Além do salário e subsídios de férias e natal, tanto o trabalhador como a empresa devem os chamados descontos para a Segurança Social.
Segundo o regime em vigor, a contribuição da empresa é de cerca de 23,75% do salário bruto do empregado, enquanto o empregado contribui com aproximadamente 11% do valor total a pagar.
Vamos a um exemplo prático: para um colaborador com um salário base de €1000, a contribuição da empresa para a Segurança Social seria de €1000 x 23.75% e os descontos seriam então de €237.50 por mês (ou €3325 por ano).

Seguro de Acidentes de Trabalho
É uma obrigação legal para todas as empresas que têm colaboradores contratados. Protege o trabalhador em caso de acidentes ou doenças relacionadas com o trabalho, assegurando que recebem o tratamento médico adequado e uma compensação por qualquer período de inatividade.
Além disso, protege as empresas contra reclamações e processos judiciais que possam surgir em caso de acidentes, no local de trabalho. Os custos do Seguro de Acidentes de Trabalho variam com base em vários fatores, incluindo:
- Tipo de Indústria: empresas em setores com maior risco de acidentes de trabalho, como a construção e a manufactura, geralmente têm prémios de seguro mais elevados;
- Número de Funcionários: empresas com mais empregados podem ter custos de seguro mais elevados, embora possam existir economias de escala;
- Histórico de Acidentes: empresas com um histórico limpo de segurança podem estar elegíveis para taxas mais baixas;
- Localização: dependendo das leis e regulamentos locais, o custo do seguro pode variar!
Como é calculado o Prémio?
Geralmente, o prémio de cada seguro é calculado como uma percentagem do vencimento bruto do empregado. Embora a taxa possa variar, considere como ponto de partida uma taxa média de 1,5% do salário ilíquido.
Vamos a um exemplo prático: suponhamos que uma empresa de IT, considerada relativamente segura, paga uma taxa de 1% sobre o salário bruto para o seguro de acidentes de trabalho. Se o salário bruto for de €1000, o custo mensal será de €10, resultando num custo anual de €120 por empregado.
O que está coberto pelo seguro?
O Seguro de Acidentes de Trabalho cobre uma gama variada de custos, incluindo:
- Despesas Médicas;
- Indemnizações por incapacidade temporária ou permanente;
- Despesas de funeral em caso de fatalidade;
- Subsídio para readaptação prossional.
Lembre-se: é crucial manter este seguro atualizado e em conformidade com as leis e regulamentos locais. Falhar em manter um seguro válido pode resultar em multas signicativas e potencial exposição a litígios.

Subsídio de Alimentação
O subsídio de alimentação é um benefício laboral que visa compensar os custos da refeição diária dos trabalhadores. Embora não seja obrigatório por lei – e de acordo com a atividade que o novo recurso vai desempenhar – é uma prática comum e muitas vezes esperada em ambientes de trabalho formais.
Este subsídio pode ser pago em dinheiro ou através de vales-refeição, dependendo do
acordo entre o empregador e o empregado.
Valores e Limites
O valor do subsídio de refeição pode variar, mas o valor mínimo estabelecido pelo Estado é de €5,20 euros por refeição para quem trabalha um período superior a 5 horas diárias. Note-se que se o valor do subsídio exceder um certo limite (€7,63 em 2021), a parte excedente está sujeita a tributação.
Veja como é feita a conta: uma empresa decide oferecer um subsídio de refeição de €6 por dia útil; se o empregado trabalha 22 dias por mês, o custo para a empresa seria de €6 x 22 dias x 12 meses = 1,584 euros por ano.
Formas de Pagamento
O subsídio de refeição pode ser pago de diversas formas:
- Dinheiro: Pago juntamente com o salário mensal;
- Vales-refeição: Vales que podem ser usados em estabelecimentos pré- determinados;
- Cartão-refeição: Um cartão pré-pago que pode ser usado como um cartão de débito em restaurantes e supermercados.
Implicações Fiscais e Contribuições
É importante notar que o subsídio de refeição em dinheiro está sujeito a contribuições
para a Segurança Social, enquanto que os vales e cartões-refeição não estão – desde que
não excedam o limite estabelecido por lei.

E a Coverex? Já ouvi falar mas não sei o que é!
A Coverex é uma solução empresarial que se destina a simplicar e otimizar o sistema de benefícios e remunerações para funcionários. Esta plataforma permite às empresas criar pacotes de compensação personalizados que vão além do salário base, englobando uma série de benefícios como:
- Subsídios de refeição,
- Seguros de saúde e bem-estar,
- Planos de reforma,
- Entre outros.
Top3 Vantagens de Usar o Coverflex
- Poupança Fiscal: a plataforma foi projetada para maximizar as vantagens fiscais associadas a diferentes tipos de compensações e benefícios;
- Gestão Simplicada: todos os benefícios podem ser geridos a partir de um único dashboard, economizando tempo e recursos que seriam gastos em administração;
- Atratividade para Talentos: oferecer um pacote de benefícios robusto e flexível pode fazer a diferença na atração e retenção de talentos qualificados!
Exemplos Práticos do Uso do Coverflex
Caso #1 – Pequena Empresa de IT
Imagine uma startup de tecnologia com 20 funcionários. Com a Covefrex, o empregador pode oferecer um plano de saúde básico e um subsídio de refeição acima da média. Cada funcionário tem a liberdade de optar pelo seguro de saúde que mais lhe agrada ou de reverter o valor para outro benefício, como um plano de fitness.
Caso #2 – Multinacional
Numa empresa com centenas de empregados, os recursos humanos enfrentam o desafio de gerir uma vasta gama de benefícios. Com a Coverex, a empresa pode permitir que os funcionários escolham entre diferentes níveis de cobertura de seguro ou plano de saúde, vários fornecedores de subsídio de refeição ou até mesmo benefícios de bem-estar, como aulas de yoga ou ginásio.
Caso #3 – Agência de Publicidade:
Neste cenário, a agência pode usar a Coverex para oferecer um conjunto de benefícios que refletem a cultura jovem e dinâmica da empresa. Entre eles, podem estar desde subsídios para transporte público até vouchers para experiências culturais, como concertos ou exposições de arte.

Legislação Sobre o Trabalho: o que Importa Saber?
Este artigo não é sobre a componente legal da contratação mas, quando o assunto são custos, há aspetos legais que têm intervenção nesta ponderação. Para que tenha a seu dispôr todos os elementos necessários a uma boa decisão, vamos passar pelos mais importantes.
Fundo de Compensação
Tal como a segurança social ou o seguro de acidentes de trabalho, o Fundo de Compensação (FCT) pertence à família dos encargos sociais a considerar. De forma resumida, é um mecanismo destinado a proteger os trabalhadores, em caso de cessação do contrato de trabalho por parte do empregador.
Este fundo foi estabelecido como uma resposta às mudanças na legislação laboral, procurando oferecer uma maior segurança aos trabalhadores – sem sobrecarregar excessivamente os empregadores.
Em Portugal, o FCT é alimentado através de contribuições mensais feitas pelo empregador e visa cobrir parcialmente os valores de compensação a que os trabalhadores têm direito, em caso de despedimento sem justa causa.

Mas como funciona?
O empregador é obrigado a fazer contribuições mensais para o FCT, que devem corresponder a uma percentagem do salário base do trabalhador.
À data de hoje, essa contribuição está xada em 0,925% do salário base. Este valor fica acumulado no fundo e pode ser resgatado pelo trabalhador em situações especícas, como o término do contrato de trabalho por iniciativa do empregador.
Vamos a um exemplo prático: suponhamos que um empregado tem um salário base de €1,000. A empresa terá que contribuir com €10 por mês para o FCT. Ao final de um ano, existirão €120 no fundo para esse trabalhador
Em que situações vou utilizar o FCT?
O Fundo de Compensação é utilizado em várias situações, incluindo:
- Despedimento sem justa causa;
- Cessação do contrato de trabalho por mútuo acordo;
- Insolvência ou falência da empresa.

Convenção Coletiva
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é um acordo entre as associações de empregadores e os sindicatos de trabalhadores, com o objetivo de estabelecer as condições de trabalho, incluindo salários, jornada, benefícios, entre outros aspectos.
Qual a relevância da Convenção Coletiva para o cálculo dos custos de um trabalhador?
A Convenção Coletiva pode ser muito relevante ao discutir-se o tema dos custos de um trabalhador para uma empresa. Isso porque as condições acordadas na convenção vão frequentemente além das obrigações legais mínimas. Vamos a exemplos práticos:
- Salário: a CCT pode estabelecer salários-base acima do salário mínimo legal;
- Subsídios e Benefícios: além do salário, as convenções coletivas incluem muitas vezes outros tipos de compensações e benefícios, que podem representar custos adicionais para a empresa;
- Horas Extras e Condições de Trabalho: a CCT pode ter regras especícas sobre pagamento de horas extras, condições de trabalho e outros fatores que afetam o custo total do empregado!
Consulte aqui as convenções coletivas para o seu setor
Vamos a um exemplo prático: suponhamos que uma empresa com atividade no setor de construção civil tem uma Convenção Coletiva que estabelece um salário base de €1,200 para operários, perante um salário mínimo nacional é de €740. O subsídio de refeição também é estabelecido em €7 por dia útil, acima do valor mínimo recomendado. Estas são condições que elevam o custo do trabalhador para a empresa, a que o proprietário pode estar alheio!

Custo de um Trabalhador para a Empresa: Como Calcular?
Para calcular o custo total de um novo trabalhador para a sua empresa, basta somar todos os custos incluídos nas seções até aqui:
- Salário (bruto)
- Subsídio de Férias e Natal
- Segurança Social
- Seguro de Acidentes de Trabalho
- Subsídio de Alimentação
- Fundo de Compensação
- Contigências impostas pela Convenção Coletiva

Vamos a mais um exemplo prático?
Custo Médio de um Trabalhador em Portugal
Determinar o custo médio de um trabalhador em Portugal não é uma tarefa simples devido à variação de:
- Salários,
- Cargos,
- Setores,
- Regiões.
Ainda assim, mesmo tendo como ponto de partida o valor do salário mínimo, é importante relembrar que muitas prossões exigem uma remuneração alta, especialmente nas áreas de tecnologia, saúde e engenharia.
Em 2021, o salário médio bruto, considerando todas as prossões, era de cerca de 1.200 euros por mês em Portugal. Considerando todos os fatores mencionados neste artigo, o custo anual de um trabalhador com salário médio de 1.200 euros seria aproximadamente:
- Salário: 1.200 x 14 meses = 16.800 euros
- Segurança Social: 285 x 14 = 3.990 euros
- Seguro de Acidentes de Trabalho: 18 x 14 = 432 euros
- Subsídio de Refeição: 5,20 euros x 22 dias x 11 meses = 1.254,40 euros (excluindo o mês de férias)
Custo total anual aproximado: 16.800 euros (salário) + 3.990 euros (Segurança Social) + 336 euros (Seguro) + 1.254,40 euros (Subsídio de Refeição) = 22.380,40 euros. Custo qual deverá acrescer valores relativos ao CCT e FCT.
Tipos diferentes de contratação de funcionários
Entender os diferentes tipos de contratação de funcionários em Portugal é crucial para qualquer empregador. Cada tipo de contrato tem suas próprias regras, vantagens e desvantagens – e esses fatores terão um impacto direto nos encargos financeiros da empresa.
Vamos conhecer as várias opções disponíveis?
Contrato Sem Termo (Indeterminado)
O Contrato Sem Termo ou contrato por tempo indeterminado, é o que oferece maior estabilidade para o trabalhador. É o tipo mais comum de contrato e não possui uma data especíca para terminar.
O trabalhador tem direito a todos os benefícios prescritos por lei, como férias, subsídio de Natal e subsídio de refeição. Além disso, o trabalhador está mais protegido contra demissão, visto que a empresa precisa de seguir determinados procedimentos rigorosos e justicar legalmente qualquer ação de rescisão do contrato.
Custo para a empresa: além do salário, contribuições para a Segurança Social e outros que vimos ao longo deste artigo, este tipo de contrato geralmente envolve custos em termos de benefícios a longo prazo. O custo de rescisão também pode ser signicativo!

Contrato a Termo (Determinado)
O Contrato a Termo é um acordo de trabalho que tem um início e um fim definidos. É frequentemente utilizado para cobrir necessidades temporárias de trabalho, como um aumento sazonal da procura ou para substituir trabalhadores que estejam de licença (por exemplo, de baixa ou paternidade).
É imperativo que o empregador indique claramente o motivo para a contratação a termo certo. Após o termo, o contrato pode ser renovado até três vezes, mas a duração total não pode exceder três anos.
Custo para a empresa: é menor do que um contrato sem termo, mas atenção: podem existir custos adicionais se o contrato for rescindido prematuramente!

Contrato de Trabalho Temporário
Neste caso, o trabalhador é contratado através de uma agência de trabalho temporário para uma missão específica e por um período limitado. O empregado não tem um vínculo direto com a empresa, mas sim com a agência.
Este tipo de contrato é frequentemente utilizado para situações em que há uma procura temporária ou incerta. É um tipo de contratação que pode ser particularmente útil para empresas que têm picos sazonais de atividade (como é exemplo a agricultura em períodos de colheita).
Custo para a empresa: além do salário pago ao trabalhador, a empresa deve também pagar à agência uma determinada taxa. Contudo, a empresa poupa em custos administrativos relacionados com a contratação e demissão!

Contrato de Trabalho Parcial
O Contrato de Trabalho Parcial, ou “part-time”, implica que o trabalhador preste serviços por um número de horas inferior ao período normal de trabalho. O horário pode ser definido de acordo com as necessidades da empresa e do empregado.
Este tipo de contrato é bastante flexível e pode ser utilizado para uma variedade de fins, desde trabalho estudantil até empregados que necessitem de horários flexíveis para conciliar com outras atividades ou responsabilidades.
Custo para a empresa: os custos são geralmente proporcionais às horas trabalhadas. No entanto, alguns encargos fixos – como seguro de acidentes de trabalho – podem aplicar-se!
Freelancers e Contratos de Prestação de Serviços
Neste tipo de relação de trabalho, não há um contrato de emprego, mas sim um contrato de prestação de serviços.
O freelancer ou o prossional autónomo é contratado para executar uma tarefa específica, sem estar sujeito às normas de subordinação típicas de um contrato de trabalho. Ele emite uma fatura para a empresa pelo serviço prestado e é responsável pelos seus próprios encargos scais e sociais.
Custo para a Empresa: não há encargos sociais ou benefícios obrigatórios, mas as taxas horárias ou de projeto podem ser mais elevadas para compensar essa falta de benefícios
Conclusão
Agora que tem uma ideia clara sobre o regime tributário da contratação, vou dar-lhe uma ferramenta que faz todo este cálculo por si: o nosso simulador de salários gratuito. Encontre-o aqui no separador Ferramentas. É grátis!