Nos últimos meses começaram a circular imagens a dizer que “fevereiro é o mês do IUC” e que, a partir de 2026, o imposto deixava de depender do mês da matrícula, com opção de pagamento em duas prestações. Essa estratégia correspondeu às primeiras ideias faladas pelo Governo, mas entretanto o modelo final mudou:
O calendário foi empurrado e as regras fecharam noutros termos.

Vamos clarificar o IUC de uma vez por todas.
1. O que acontece em 2026?
Em 2026, na prática, não muda nada no funcionamento deste imposto:
- Continua a pagar o IUC no mês da matrícula do carro;
- Paga de uma vez só, como até agora;
- As tabelas não são alteradas por causa desta reforma.

Se hoje paga em maio, em 2026 continua a pagar em maio. Mantenha-se fiel ao seu planeamento, por agora!
2. O novo modelo do IUC (a sério) entra em 2027
A grande alteração é esta: a partir de 2027 o IUC passa a ter um mês “oficial” para toda a gente, Abril. Em vez de cada matrícula ter o seu mês, o imposto concentra‑se ali, como o IRS tem um período certo ou o IMI um calendário previsível.

Além disso, surge ainda a possibilidade de fracionar:
- Se o seu IUC for até 100 euros, paga em abril;
- Entre 100 e 500 euros, pode optar por duas prestações: abril e outubro;
- Acima de 500 euros, pode ir até três prestações: abril, julho e outubro;

E se preferir manter tudo simples e pago de uma vez, também pode: abril continua a ser o mês em que liquida o total. A lógica é dupla:
- Reduzir esquecimentos e coimas (porque toda a comunicação se concentra num mês);
- Aliviar a tesouraria de quem tem IUC alto ou várias viaturas ao mesmo tempo.
3. Há risco de pagar “duas vezes seguidas” na transição?
Este era o grande receio: quem paga hoje em novembro ou dezembro podia ficar a pagar em dezembro de 2026 e logo em abril de 2027. Para evitar isto, 2027 terá regras transitórias.
Se pagou o IUC de 2026 já no fim do ano, o imposto seguinte é empurrado para mais tarde:
- Casos com IUC mais baixo concentram o pagamento em outubro;
- Valores mais altos são repartidos entre julho e outubro.
Em resumo: não vai haver ninguém a ser “apanhado na curva”, com dois pagamentos indevidos!
4. E os elétricos e restantes regimes?
Nada do que está em cima da mesa mexe nas isenções.
Veículos 100 % elétricos mantêm o regime atual, bem como as situações de deficiência ou alguns clássicos com enquadramento próprio. O Governo tem repetido que esta reforma é sobre quando se paga, não sobre quanto se paga.

5. O que precisa de fazer agora?
Para 2026, rigorosamente nada: siga a regra do mês da matrícula como sempre fez. Use este ano para se organizar para 2027, sobretudo se tem frotas ou vários carros: veja quanto IUC fica concentrado em abril e se faz sentido usar o pagamento em prestações.
E se tiver dúvidas sobre o impacto disto na sua empresa – renting, leasing, frotas – fale com o seu contabilista. Caso queira uma leitura estratégica do tema aplicada ao seu caso, nós na BTOCNET podemos ajudá-lo a planear antes de o primeiro “abril do IUC” chegar.